A Biblioteca Pública Arthur Viana realiza mais uma formação em seu calendário de capacitação: a Oficina de Libras e Libras Tátil, destinada a professores, educadores, bibliotecários, educadores sociais e pessoas com deficiências visual e auditivas. O curso começou no dia 22 de junho e prossegue até 3 de julho, das 14h às 17h, no Espaço Braille da instituição, totalizando 30 horas de formação.
Com vagas limitadas a 20 participantes, a atividade integra o eixo de acessibilidade e inclusão da biblioteca, ampliando o alcance de suas políticas públicas para além do público leitor convencional.
A oficina trabalha duas modalidades de comunicação distintas, mas complementares, no universo da acessibilidade:
Libras (Língua Brasileira de Sinais) – Reconhecida oficialmente como língua desde a Lei nº 10.436/2002, a Libras é a língua natural da comunidade surda brasileira, com estrutura gramatical própria, independente do português falado ou escrito. A formação aborda o alfabeto manual, vocabulário básico, estrutura sintática e aspectos culturais da comunidade surda.
Libras Tátil – Modalidade de comunicação utilizada por pessoas com surdocegueira, que combinam deficiência visual e auditiva. Nessa forma, o interlocutor reproduz os sinais da Libras diretamente sobre as mãos da pessoa surdocega, que os percebe pelo tato. A técnica exige precisão na articulação dos sinais e sensibilidade às necessidades individuais de cada usuário.
A junção das duas abordagens em uma única formação é relativamente rara em cursos de curta duração, refletindo uma preocupação com a interseccionalidade das deficiências, reconhecimento de que pessoas com múltiplas deficiências enfrentam barreiras específicas que não são resolvidas por políticas fragmentadas.
A oficina reúne quatro perfis distintos:
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Profissionais da educação – professores da rede pública e privada, pedagogos e coordenadores que buscam ferramentas para incluir alunos surdos ou com surdocegueira em sala de aula.
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Bibliotecários e profissionais de informação – responsáveis por tornar bibliotecas e acervos acessíveis a públicos que não utilizam a língua portuguesa em sua forma oral ou escrita tradicional.
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Educadores sociais – trabalhadores de ONGs, centros comunitários e projetos de inclusão que atuam diretamente com pessoas com deficiência.
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Pessoas com deficiências visual e/ou auditiva – oferecendo autonomia na comunicação e possibilitando que o próprio público PCD se torne multiplicador de conhecimento.
A inclusão explícita de pessoas com deficiência como participantes, e não apenas como objeto da formação, representa uma abordagem alinhada ao modelo social da deficiência, que reconhece essas pessoas como sujeitos de direito e protagonistas de suas próprias trajetórias.
O curso está sendo realizado no Espaço Braille da biblioteca, ambiente dedicado à acessibilidade para pessoas com deficiência visual. A escolha do local reforça a função da biblioteca como polo de recursos de acessibilidade, indo além do empréstimo de livros em braille para se configurar como centro de formação e troca de conhecimento sobre inclusão.
A existência de um espaço específico para o público com deficiência visual em uma biblioteca pública paraense é, por si só, um indicador de política de acessibilidade ainda não universal no país. Segundo dados do último Censo Demográfico do IBGE, aproximadamente 6,5 milhões de brasileiros possuem algum grau de deficiência visual, sendo que grande parte não tem acesso a materiais em braille ou a ambientes adaptados de leitura.
A formação em Libras e Libras Tátil ocorre em um momento de crescente atenção à acessibilidade em espaços culturais brasileiros. A Lei nº 13.146/2017, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, estabelece obrigatoriedade de acessibilidade em todos os ambientes de uso coletivo, incluindo bibliotecas, museus e teatros.
No entanto, a implementação efetiva dessas políticas ainda encontra obstáculos. Um levantamento de 2023 da Fundação Biblioteca Nacional apontou que menos de 15% das bibliotecas públicas brasileiras contam com profissionais capacitados em Libras, e a oferta de materiais em braille ou de impressoras táteis é ainda mais restrita.
Nesse contexto, a oficina da Biblioteca Arthur Viana assume caráter de formação de multiplicadores: os 20 participantes, ao concluírem o curso, estarão em posição de implementar práticas inclusivas.













