No dia 12 de março, a Biblioteca da Usina da Paz do Guamá realizou uma oficina literária enriquecedora com o tema “Águas de Março” e a Visibilidade da Mulher Negra e Escritora. O encontro teve como objetivo destacar a relevância da literatura negra, especialmente a produção literária feminina, além de promover a reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres negras no universo literário e na sociedade de forma geral.

Inspirada pela famosa música de Tom Jobim e Elis Regina, “Águas de Março”, a oficina trouxe à tona a ideia de renovação e continuidade. A chuva que marca o fim do verão e o início do outono foi associada à jornada das mulheres negras escritoras, que, apesar dos desafios e obstáculos históricos, continuam a escrever e a fortalecer suas vozes na literatura. A água, símbolo de fluxo e transformação, se tornou uma metáfora poderosa para refletir sobre a resistência e o poder das mulheres negras que fazem da escrita uma ferramenta de luta e visibilidade.

Durante a oficina, foi discutido o papel fundamental da mulher negra na literatura brasileira, destacando nomes como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Djamila Ribeiro, entre outras, que têm conquistado seu espaço com obras que refletem a luta contra o racismo, a valorização da cultura negra e a promoção de uma identidade própria e autêntica. A oficina trouxe à tona a necessidade de dar visibilidade a essas escritoras e de reconhecer o quanto suas obras enriquecem o cenário literário, ao trazerem para o centro da narrativa as experiências, dores, alegrias e forças das mulheres negras.

A oficina foi conduzida por mediadoras que incentivaram os participantes a refletirem sobre a importância da escrita como um espaço de empoderamento e resistência. A dinâmica permitiu que cada participante compartilhasse suas próprias experiências e olhares sobre a literatura e a presença das mulheres negras na escrita. Foram realizadas leituras de trechos de obras literárias de escritoras negras, além de atividades de escrita criativa, nas quais os participantes foram convidados a expressar suas próprias histórias e visões de mundo.

O encontro foi um verdadeiro espaço de troca de experiências, com destaque para o fortalecimento da identidade e do empoderamento das mulheres negras. Participantes de diferentes idades e experiências compartilhavam suas histórias e desafiavam os estereótipos impostos pela sociedade. O ambiente acolhedor da biblioteca proporcionou um espaço seguro para que todas as vozes fossem ouvidas, especialmente aquelas que, muitas vezes, são marginalizadas e silenciadas.

A oficina literária “Águas de Março” e a Visibilidade da Mulher Negra e Escritora foi um marco de celebração e reflexão sobre o papel da mulher negra na literatura e na sociedade. Com uma programação que uniu poesia, história, e escrita criativa, o evento reforçou a importância de dar visibilidade às escritoras negras e de continuar lutando por uma representação mais justa e inclusiva na literatura brasileira. Ao final do encontro, os participantes saíram não apenas com uma nova visão sobre a literatura negra, mas também com um renovado senso de pertencimento e empoderamento, prontos para continuar contribuindo para a riqueza e diversidade da literatura nacional.

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